quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Triste fim d'um jardim florido.



Na primeira vez em que a vi era dezembro, ela usava um vestido grená; saía da igreja carregando meia dúzia de lírios, acompanhada por sua irmã mais velha. Ela tinha um brilho nos olhos diferente de todos os outros brilhos que eu já vira.
Ao passar por mim instantaneamente percebeu meu olhar furtivo, hipnotizado por aquela beleza exótica, aqueles cachos que pareciam deitar-se ao chão e saltar ao céu.
Seu sorriso desabrochou e eu avermelhei.
Foi o começo de tudo.
Todas as manhãs, a partir daquele dia, ficava eu de espreita, esperando que ela colhesse rapidamente os lírios do canteiro a fim de decorar a igreja para as celebrações do fim do ano. E ela, raio de sol que era, não economizava sorrisos nem olhares. Nem brilho.
Era intenso sentir o que vinha crescendo dentro de mim por alguém da qual nem a voz conhecia. Estranhava e tentava apagar da lembrança qualquer pensamento que me levasse a, mais uma vez, me apaixonar por alguém, visto que já sofrera bastante por uma gama de amores não correspondidos e fotos rasgadas no final da tarde.
O fato é que eu não conseguia levantar do banco da praça e simplesmente me retirar sem que antes ela saísse serelepe a me brindar com sua luz, sua alegria, sua paz que de alguma forma habitava em mim silenciosamente – e crescia.
E surpreendi-me quando, de repente, ela me apareceu com um sonho de padaria. Perguntou-me se, por favor, poderia ajudá-la a segurar o buquê que carregava para que ela pudesse comer o doce.
Prontamente tomei as flores para mim e a vi comer o sonho, e sonhei a cada gesto, a cada vez que ela arrumava o cabelo atrás da orelha ou limpava o canto da boca.
Em um instante uma mistura de sensações invadiu-me como um redemoinho devasta o deserto. Aquele cheiro que o vento trazia dos seus cabelos, o suave som de sua voz me agradecendo infinitas vezes por permitir que ela degustasse o seu sonho, enquanto eu sonhava o meu.

Agora nos conhecíamos.


Entre uma mordida e outra, descobri que seu nome era Alice, que tinha 19 anos e gostava de céu azul e cachoeira e água correndo sob os pés. Pude perceber o romantismo e a doçura de quem trabalha por horas retirando a beleza de um jardim e transferindo-a para si mesma.
Precisei que ela acenasse envergonhada na frente dos meus olhos para cair em mim e responder ao seu agradecimento seguido de despedida.
O prazer é todo meu. Foi tudo o que eu consegui dizer enquanto a via se afastar, arrumando cada pétala que eu, desajeitado que sou, tirei do lugar.
A semana brincou de passar correndo e alguns dias depois me vi ao lado de Alice, colhendo com ela as flores e imaginando-as como adereço para seus cachos dourados.Ela também se viu encantada por mim e começamos a comer os mesmos doces e ver juntos o sol se por. Éramos um par feliz e planejávamos coisas para dali a cinco minutos, ou cem anos.
Conforme o ano findava-se, nossa relação ganhava uma dimensão maior, e maior.
Ceamos um ao lado do outro na noite de Natal, e no reveillon ela sugeriu que ficássemos até mais tarde na praia depois dos quinze minutos de cores no horizonte até onde a vista alcançava.
Janeiro transcorreu preguiçoso e nossos laços se estreitaram de acordo com nossas descobertas mútuas. Entendi porque ela pinga duas gotas de leite no café preto, o motivo pelo qual batizou a tartaruga de estimação de Arara e o motivo pelo qual ela escolheu uma tartaruga como bicho de estimação. E fi-la ficar sabendo que cortei o joelho num arbusto de espinhos tentando fita-la por um ângulo melhor. Ela sorriu ao descobrir que sou de gêmeos e ouço Caetano e me presenteou com um livro que narrava as aventuras de uma mulher em busca do auto-conhecimento, viajando pela Índia, Indonésia e Itália.
Vivemos situações divertidas e outras nem tanto, como aquela vez em que derramei mostarda na calça, numa tentativa vã de deixar o sanduíche ao meu gosto, ou quando a avó dela morreu, em maio, e precisei por dias enxugar suas lágrimas e até mesmo no dia dos namorados, quando mandei um grupo de jovens acorda-la em casa com uma serenata romântica e ela não estava em casa, pois tivera que dormir com a irmã que havia acabado de dar a luz.
O tempo brindou-nos com alegrias mil, algumas tristezas e contratempos e uma dose bem generosa de amor. Amor por cada erro, cada defeito. Amor por completo, e por completarmos um ao outro.
Uma espécie de conto de fadas moderno, onde as mensagens de texto no celular supriam um pouco da saudade que batia quando eu viajava ou nos feriados nos quais ela visitava o avô.
E o tempo, o mesmo que nos juntou, decidiu que havia cansado de nós.
Minhas horas pareciam esmagadas entre o amanhecer e a chegada da lua, eu não conseguia mais conciliar viagens de trabalho, família, amigos, faculdade, aula de inglês, academia e amor. Tudo estava bagunçado, revirado, às avessas.
Pequei por me estressar demais e descarregar em Alice aquilo que não cabia em mim. Ela passou a ser uma espécie de muro das lamentações, ouvindo atenta cada reclamação minha, cada xingamento dirigido ao filho-da-mãe que me ultrapassou no trânsito.
Aquilo foi pesado demais para minha flor.
E, em setembro, o final do inverno parece ter congelado algo em mim.
Não quis mais que as flores brotassem na primavera e decidi destampar o ralo que fazia a água correr sob nossos pés.
Foi o final de tudo.
Deixei que Alice partisse com o olho marejado, mesmo que brilhando, e virei as costas para qualquer resquício de felicidade desfrutada, de calor no começo da manhã e beijos carinhosos de boa noite.
Pisoteei o jardim.
Jardim que ela chamava de coração.
Estações sucederam-se, pessoas apareceram e sumiram, sonhos se realizaram, outros se tornaram pesadelos.
E eu amarguei minha decisão por três longos anos.
Semana passada, lembrei de Alice.
Revirei meus armários tentando encontrar seu telefone ou seu novo endereço. Nada constava no meu amontoado de folhas secas e pó.
Viajei ontem até sua nova cidade e foi então que me dei conta do quão idiota fui.
Só ali fiquei certo de que a única coisa que aprendi com todas as minhas decepções amorosas foi a me comportar como todas aquelas pessoas que me feriram, a ser rude, insensível e cruel.
Lembrei das lágrimas que rolaram dos olhos de Alice por minha causa e doeu como uma punhalada no peito.
Recordei cada momento e revivi todas aquelas sensações maravilhosas proporcionadas por ela e engoli a seco.
Não me fiz perceber naquela multidão de pessoas; baixei a cabeça, dei meia volta e cada segundo de ternura vivido pareceu esvair-se de mim, e todos os pedaços do homem maravilhoso que Alice me fazia ser se transformaram em cacos de vidro, em pétalas amassadas. Eu tive convicção de que não a veria mais.
Na última vez em que a vi, ela usava um vestido branco; entrava na igreja com um buquê de lírios, acompanhada pelo seu pai. Tinha nos olhos aquele mesmo brilho, diferente de qualquer brilho que eu já tenha visto e mais intenso que qualquer estrela que um dia eu possa ver.
Estava linda, como sempre, e feliz.
Feliz por estar dando passos emocionados ao futuro, passos certos.
Radiante em sonhar com crianças correndo no jardim florido, com um banho demorado de cachoeira e com café quentinho pingado com duas gotas de leite todas as manhãs.
Estonteante em saber que teria ao seu lado alguém com quem poderia desabafar sem parecer um estorvo, um homem que a entendesse e que não descarregasse nela um punhado de energias negativas todas as vezes que se atrasasse para o futebol.
Ela estava definitivamente feliz.
E alguém a esperava no altar.
Alguém que não era eu.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Soneto Carnal.

Quando teu olhar pousou
N'aquela forma ardente
Deixou desejo latente
Os armários bagunçou

Tirou de mim o sossego
Fez ressurgir o fulgor
E esse teu esplendor
Trouxe a nós um aconchego

E os corpos que roçagavam
Os corações que pulsavam
Esperando pelo depois

Os beijos longos, o abraço
A falta de jeito, embaraço
Uniram em um, o nós dois.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Poema Crônico Número Um

Quando a dor me sucumbir
E de mim nada restar
Quando a chuva não cair
E a lágrima rolar
Quando a lástima existir
Ocupando o meu lugar...

Nada mais importará
O lembrado ou esquecido
E o tempo passará
Sufocando o meu gemido
Que jamais encontrará
A atenção do teu ouvido

E se Deus me permitir
Um desejo reclamar
Certamente irei pedir
P'ro acaso me levar
Sem que eu te veja partir
Planejando não voltar

Só então acabará
Meu caminho dolorido
E a tua alma terá
A paz que havia perdido
Meu inverno findará
Embora nem tenha chovido

E meu rosto vai sumir
Para muito além do mar
Meu silêncio te aturdir
Impedindo de chorar
Por ter feito destruir
O brilho do meu olhar

Meu caminho acabará
Meu mundo terá caido
A lembrança ficará
Do meu desejo perdido
Que deveras pesará
Por ter sido destruído

Quando o riso se esvair
E a saudade apertar
Temo n'alma refletir
Dolorosa e devagar
A angústia que é sentir
A amargura de amar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O brilho que não se apaga.

Em memória de Amy Jade Winehouse



O que, na vida, é mais difícil?
Passar todo o tempo fingindo ser uma coisa que não é, camuflando sentimentos, medindo rigorosamente cada passo dado ou entregar-se para aquilo que o coração mandar, seguir a própria vontade e arcar com as consequências de ser uma pessoa corajosa?
Pra falar a verdade eu não tenho propriedade pra dissertar ou defender teses sobre o que é fácil fazer.
Mas existem pessoas que nascem e nos ensinam absurdamente a ser quem somos.
Não que eu tenha sido um fanático por ela, nunca sequer fui a um show seu. Porém, é difícil saber de uma história sem trazer pra si o que de mais belo há nela.
Amy teve os sonhos mais absurdos, os desejos mais escuros e as experiências mais repudiáveis;
Foi odiada, apedrejada, perseguida, julgada. Condenada.
Sentiu o amargor da desilusão, aquele que no fundo todos nós sentimos e fingimos passar, mas que sempre machuca a cada feriado prolongado ou manhã chuvosa.
Amy fez muita coisa que eu nunca faria.
E mesmo assim, de alguma forma, me orgulho dela.
Porque ela amou, e se permitiu sentir as delicias e dores das suas escolhas.
Amy foi intensamente doce e maquiava os olhos pra disfarçar as lágrimas, mesmo naqueles olhos transparentes de se ver a alma.
Usou e abusou de artifícios, visando unicamente chamar atenção pra qualquer coisa que não fosse sua melancolia quase gritante.
Amy foi mais vítima que algoz.
E, todos aqueles que a maldisseram deviam, pelo menos, encarar seu bêbado, seu drogado interior. Aquele que grita para que façamos o que nos faz feliz e que deixamos de lado pra ouvir o bom senso.
Bom senso nem sempre é bom.

Hoje eu queria deixar o meu pesar diante da morte dessa estrela de voz marcante, letra original e melodia encantadora.
Cordeiro em pele de lobo.
Queria dizer que talvez, só talvez, se as pessoas a tivessem valorizado da forma que merecia, ela hoje estivesse bem, estivesse feliz.
Espero que onde quer que esteja, a paz habite em Amy Winehouse.

Porque, mesmo roubando copos de bebida, perdendo dentes, sendo fotografada em situações depreciáveis e envergonhando a "sociedade", ela teve a coragem de mostrar-se, deu a cara à tapa e superou muita gente "politicamente correta" que vive se anulando mundo afora.
Porque, mesmo adepta de hábitos não-saudáveis e auto-depreciativos, ela soube plantar coisas boas no coração de muitos.
Porque, mesmo sofrendo o que sofreu, ela nunca deixou de amar.
Porque ela sempre teve a ousadia de ser ela mesma.

Vai com Deus, Amy.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

O tempo do amor.



Amor.
Cada vez mais parece clichê falar/escrever sobre o amor, e sobre as formas de senti-lo, mas é visivel que, dia após dia, a necessidade de sentir o amor aumenta, pelo menos para mim.
Eu sei que conselhos não são seguidos e que as próprias experiências regem o nosso comportamento, na maioria das vezes.
Porém é sempre válido usar aquilo de bom que há dentro de nós, pra quem sabe transmitir um pouco da enorme felicidade que o amor, em todas as suas formas, proporciona.
Então, ame.
Ame o nascer e o pôr-do-sol, porque um não existiria sem o outro; ame o cheiro do café, de manhã e ame cada bom dia que receber ao sair com cara de sono.
Ame o cantar dos pássaros e o barulho dos grilos, mesmo que não te deixem dormir. Ame o brilho das estrelas de tal forma a absorvê-lo nos olhos e inundar a alma.
Ame o próximo, como a ti mesmo, sem ter medo de parecer ridículo.
Ame a primavera-verão, e o outono-inverno. Ame a chuva e lave seus males nela.
E, voluntariamente, ame o que fizer. Suas obras te descrevem da mesma forma que um manual de instruções dita os usos e desusos de um aparelho de TV.
Ame a sua vizinha rabugenta e ria da forma desajeitada com que ela sacode a poeira sobre sua calçada.
Ame, por mais que a sua vontade seja sentir ódio.
E entenda que o ódio é uma das mais intensas formas de amor.
Ame seus amigos.
Deles depende um pedaço bem grande da sua felicidade.
Ame seu homem, sua mulher. Não importa.
Ame almas acima de corpos, e sorrisos acima de órgãos sexuais.
Mas não deixe a paixão de lado, porque é ela quem mantém o coração aquecido.
Expresse seu amor pela sua família. Seus pais, avós, filhos, netos.
Não se envergonhe de sua origem e não tenha medo de defender aqueles que estiveram ao seu lado quando você era indefeso e vulnerável.
Ame comer, viajar, dançar, cantar e ouvir músicas, ir ao teatro, estudar, olhar nos olhos, beijar na boca, fazer exercícios e olhar o mar.
Ame a Deus.
Nele está todo o resto do seu amor, e é Ele quem habita em todos e em tudo o que você ama.
E ame-se.
Ame-se como se você fosse viciado em si mesmo.
E nunca tente reabilitar-se desse vício, porque diante de tudo o que tem acontecido, fora e dentro de cada um de nós, é urgente que se reserve, a cada segundo de nossas vidas, um tempinho pro amor.

sábado, 11 de junho de 2011

Da minha mais nova primeira vez



Hoje senti um frio estranho na barriga.
Coisa de pré-adolescente que seria normal, se eu ainda fosse um garoto de treze anos.
Hoje foi a minha primeira vez em alguma coisa, e isso me trouxe recordações das minhas outras primeiras vezes.

Esqueci de como foi a primeira vez que eu falei. Eu devo ter dito proparoxítona ou paleolítico.
Da primeira vez em que andei, ganhei uma barra de chocolate, inteirinha pra mim.
Quando eu fui à escola pela primeira vez, chorei desenfreadamente para ficar na primeira fileira, comi o lanche antes do intervalo e não quis sair quando a aula terminou.

Decidi que a minha iniciação como ciclista seria definitivamente encerrada, visto que eu não pretendia encher as minhas pernas de cicatrizes.
E não fui eu quem escolheu a cicatriz que até hoje tenho na sobrancelha, fruto da primeira vez em que fui atropelado por um fusca amarelo.

E nenhuma primeira vez foi tão terrivel quanto aquela em que eu desci a correnteza, me segurando em pedras lisas e galhos secos e, como todos estão cansados de saber, desisti de ser o Cielo da temporada.

Quando me apaixonei pela primeira vez nem sequer soube que era paixão.
E depois, quando me apaixonei de novo (e de certa forma foi uma segunda primeira vez), vivi aquilo de uma forma tão intensa que ainda hoje sinto aquela força estranha no ar...
E da primeira vez em que eu descobri quem eu realmente era foi inevitável a lágrima.

Quando estreei minha vida de viajante, fiquei encantado com a paisagem, o vento, o sol batendo à janela do carro, pedindo passagem, e a calma de esperar que o tempo passasse frouxo.

E quando morei sozinho pela primeira vez, chorei semanas inteiras com saudades da minha casa, da minha família, dos meus amigos, e do meu eu antigo.

Quando chorei pela primeira vez, doeu.
E quando perdi minhas primeiras convicções, quase não suportei.

Inaugurei sorrisos, sonhos e roupas descoladas.
Inovei cortes de cabelo, capas de caderno.
Conheci lugares, pessoas, li livros.
Tudo pela primeira vez.

Mas nunca, nunca tinha passado pelo que passei hoje.

E não doeu, não arrancou nenhum pedaço (pelo menos aparente), não ralou, não queimou, não deixou marcas.

E eu ainda não acredito que o fiz.
Nunca havia antes, pulado um muro.




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre conversas fiadas, meias furadas e trident de canela.

l



Não foi de repente.
Não posso dizer que acordei diferente, que os sinos tilintaram numa noite fria e eu simplesmente mudei.
Porque não foi assim.

Foram muitos dias de monólogos febris, travesseiros apertados contra o peito e lágrimas queimando o rosto.
Foram muitos nãos espremidos entre as terças e sextas-feiras intermináveis, e muitos talvez nos fins de semana.
Foram muitos abusos, e pouco sobrou.

Não foi por acaso que criei essa casca protetora, esse ar de quem sabe tudo (embora não saiba nem o que realmente sei), essa falta de modéstia em assumir maturidade, responsabilidade, calma.
Não foram em vão as súplicas de um-pouco-mais-de-atenção-e-carinho.
E não foi em vão o adeus.
Tudo valeu a pena e serviu pra que eu me tornasse o que sou.

Não foi fácil, mas ninguém disse que seria.

Hoje é simples abrir a janela e olhar o tempo, sem esperar muito dele.
Ou ir trabalhar de chinelo de dedo pra não usar aquela meia furada que incomoda o meu dedo do meio.
Hoje é assombrosamente mais simples dizer um sonoro não quando um vulcão por dentro entra em erupção querendo um sim.
É automático.
Um dia, tudo muda.

Posso passar horas a fio jogando conversa fora, sorrindo, ou simplesmente calado.
Posso assumir de quem eu gosto, quando gosto e depois desgostar, ao meu gosto.
Posso não querer receber visitas ou convidar mil pessoas pra comer uma pizza.

"Posso brincar de descobrir desenho em nuvens, posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis..."

Posso me permitir sentir saudade de quem eu amo (ou amava e passei a desamar) e nem por isso querer estar perto.
Sentir saudades, só por sentir.
Me permitir comer besteiras e, no outro dia, me culpar pelas 300 gramas a mais na balança, comprar trident de canela e falar, sem educação nenhuma, perto de quem odeia aquele cheiro que eu adoro.

Posso dizer eu te amo, sem me importar com quem esteja ouvindo isso.

Hoje eu aprendi que posso tudo, se fizer por merecer.