terça-feira, 9 de agosto de 2011

Soneto Carnal.

Quando teu olhar pousou
N'aquela forma ardente
Deixou desejo latente
Os armários bagunçou

Tirou de mim o sossego
Fez ressurgir o fulgor
E esse teu esplendor
Trouxe a nós um aconchego

E os corpos que roçagavam
Os corações que pulsavam
Esperando pelo depois

Os beijos longos, o abraço
A falta de jeito, embaraço
Uniram em um, o nós dois.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Poema Crônico Número Um

Quando a dor me sucumbir
E de mim nada restar
Quando a chuva não cair
E a lágrima rolar
Quando a lástima existir
Ocupando o meu lugar...

Nada mais importará
O lembrado ou esquecido
E o tempo passará
Sufocando o meu gemido
Que jamais encontrará
A atenção do teu ouvido

E se Deus me permitir
Um desejo reclamar
Certamente irei pedir
P'ro acaso me levar
Sem que eu te veja partir
Planejando não voltar

Só então acabará
Meu caminho dolorido
E a tua alma terá
A paz que havia perdido
Meu inverno findará
Embora nem tenha chovido

E meu rosto vai sumir
Para muito além do mar
Meu silêncio te aturdir
Impedindo de chorar
Por ter feito destruir
O brilho do meu olhar

Meu caminho acabará
Meu mundo terá caido
A lembrança ficará
Do meu desejo perdido
Que deveras pesará
Por ter sido destruído

Quando o riso se esvair
E a saudade apertar
Temo n'alma refletir
Dolorosa e devagar
A angústia que é sentir
A amargura de amar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O brilho que não se apaga.

Em memória de Amy Jade Winehouse



O que, na vida, é mais difícil?
Passar todo o tempo fingindo ser uma coisa que não é, camuflando sentimentos, medindo rigorosamente cada passo dado ou entregar-se para aquilo que o coração mandar, seguir a própria vontade e arcar com as consequências de ser uma pessoa corajosa?
Pra falar a verdade eu não tenho propriedade pra dissertar ou defender teses sobre o que é fácil fazer.
Mas existem pessoas que nascem e nos ensinam absurdamente a ser quem somos.
Não que eu tenha sido um fanático por ela, nunca sequer fui a um show seu. Porém, é difícil saber de uma história sem trazer pra si o que de mais belo há nela.
Amy teve os sonhos mais absurdos, os desejos mais escuros e as experiências mais repudiáveis;
Foi odiada, apedrejada, perseguida, julgada. Condenada.
Sentiu o amargor da desilusão, aquele que no fundo todos nós sentimos e fingimos passar, mas que sempre machuca a cada feriado prolongado ou manhã chuvosa.
Amy fez muita coisa que eu nunca faria.
E mesmo assim, de alguma forma, me orgulho dela.
Porque ela amou, e se permitiu sentir as delicias e dores das suas escolhas.
Amy foi intensamente doce e maquiava os olhos pra disfarçar as lágrimas, mesmo naqueles olhos transparentes de se ver a alma.
Usou e abusou de artifícios, visando unicamente chamar atenção pra qualquer coisa que não fosse sua melancolia quase gritante.
Amy foi mais vítima que algoz.
E, todos aqueles que a maldisseram deviam, pelo menos, encarar seu bêbado, seu drogado interior. Aquele que grita para que façamos o que nos faz feliz e que deixamos de lado pra ouvir o bom senso.
Bom senso nem sempre é bom.

Hoje eu queria deixar o meu pesar diante da morte dessa estrela de voz marcante, letra original e melodia encantadora.
Cordeiro em pele de lobo.
Queria dizer que talvez, só talvez, se as pessoas a tivessem valorizado da forma que merecia, ela hoje estivesse bem, estivesse feliz.
Espero que onde quer que esteja, a paz habite em Amy Winehouse.

Porque, mesmo roubando copos de bebida, perdendo dentes, sendo fotografada em situações depreciáveis e envergonhando a "sociedade", ela teve a coragem de mostrar-se, deu a cara à tapa e superou muita gente "politicamente correta" que vive se anulando mundo afora.
Porque, mesmo adepta de hábitos não-saudáveis e auto-depreciativos, ela soube plantar coisas boas no coração de muitos.
Porque, mesmo sofrendo o que sofreu, ela nunca deixou de amar.
Porque ela sempre teve a ousadia de ser ela mesma.

Vai com Deus, Amy.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

O tempo do amor.



Amor.
Cada vez mais parece clichê falar/escrever sobre o amor, e sobre as formas de senti-lo, mas é visivel que, dia após dia, a necessidade de sentir o amor aumenta, pelo menos para mim.
Eu sei que conselhos não são seguidos e que as próprias experiências regem o nosso comportamento, na maioria das vezes.
Porém é sempre válido usar aquilo de bom que há dentro de nós, pra quem sabe transmitir um pouco da enorme felicidade que o amor, em todas as suas formas, proporciona.
Então, ame.
Ame o nascer e o pôr-do-sol, porque um não existiria sem o outro; ame o cheiro do café, de manhã e ame cada bom dia que receber ao sair com cara de sono.
Ame o cantar dos pássaros e o barulho dos grilos, mesmo que não te deixem dormir. Ame o brilho das estrelas de tal forma a absorvê-lo nos olhos e inundar a alma.
Ame o próximo, como a ti mesmo, sem ter medo de parecer ridículo.
Ame a primavera-verão, e o outono-inverno. Ame a chuva e lave seus males nela.
E, voluntariamente, ame o que fizer. Suas obras te descrevem da mesma forma que um manual de instruções dita os usos e desusos de um aparelho de TV.
Ame a sua vizinha rabugenta e ria da forma desajeitada com que ela sacode a poeira sobre sua calçada.
Ame, por mais que a sua vontade seja sentir ódio.
E entenda que o ódio é uma das mais intensas formas de amor.
Ame seus amigos.
Deles depende um pedaço bem grande da sua felicidade.
Ame seu homem, sua mulher. Não importa.
Ame almas acima de corpos, e sorrisos acima de órgãos sexuais.
Mas não deixe a paixão de lado, porque é ela quem mantém o coração aquecido.
Expresse seu amor pela sua família. Seus pais, avós, filhos, netos.
Não se envergonhe de sua origem e não tenha medo de defender aqueles que estiveram ao seu lado quando você era indefeso e vulnerável.
Ame comer, viajar, dançar, cantar e ouvir músicas, ir ao teatro, estudar, olhar nos olhos, beijar na boca, fazer exercícios e olhar o mar.
Ame a Deus.
Nele está todo o resto do seu amor, e é Ele quem habita em todos e em tudo o que você ama.
E ame-se.
Ame-se como se você fosse viciado em si mesmo.
E nunca tente reabilitar-se desse vício, porque diante de tudo o que tem acontecido, fora e dentro de cada um de nós, é urgente que se reserve, a cada segundo de nossas vidas, um tempinho pro amor.

sábado, 11 de junho de 2011

Da minha mais nova primeira vez



Hoje senti um frio estranho na barriga.
Coisa de pré-adolescente que seria normal, se eu ainda fosse um garoto de treze anos.
Hoje foi a minha primeira vez em alguma coisa, e isso me trouxe recordações das minhas outras primeiras vezes.

Esqueci de como foi a primeira vez que eu falei. Eu devo ter dito proparoxítona ou paleolítico.
Da primeira vez em que andei, ganhei uma barra de chocolate, inteirinha pra mim.
Quando eu fui à escola pela primeira vez, chorei desenfreadamente para ficar na primeira fileira, comi o lanche antes do intervalo e não quis sair quando a aula terminou.

Decidi que a minha iniciação como ciclista seria definitivamente encerrada, visto que eu não pretendia encher as minhas pernas de cicatrizes.
E não fui eu quem escolheu a cicatriz que até hoje tenho na sobrancelha, fruto da primeira vez em que fui atropelado por um fusca amarelo.

E nenhuma primeira vez foi tão terrivel quanto aquela em que eu desci a correnteza, me segurando em pedras lisas e galhos secos e, como todos estão cansados de saber, desisti de ser o Cielo da temporada.

Quando me apaixonei pela primeira vez nem sequer soube que era paixão.
E depois, quando me apaixonei de novo (e de certa forma foi uma segunda primeira vez), vivi aquilo de uma forma tão intensa que ainda hoje sinto aquela força estranha no ar...
E da primeira vez em que eu descobri quem eu realmente era foi inevitável a lágrima.

Quando estreei minha vida de viajante, fiquei encantado com a paisagem, o vento, o sol batendo à janela do carro, pedindo passagem, e a calma de esperar que o tempo passasse frouxo.

E quando morei sozinho pela primeira vez, chorei semanas inteiras com saudades da minha casa, da minha família, dos meus amigos, e do meu eu antigo.

Quando chorei pela primeira vez, doeu.
E quando perdi minhas primeiras convicções, quase não suportei.

Inaugurei sorrisos, sonhos e roupas descoladas.
Inovei cortes de cabelo, capas de caderno.
Conheci lugares, pessoas, li livros.
Tudo pela primeira vez.

Mas nunca, nunca tinha passado pelo que passei hoje.

E não doeu, não arrancou nenhum pedaço (pelo menos aparente), não ralou, não queimou, não deixou marcas.

E eu ainda não acredito que o fiz.
Nunca havia antes, pulado um muro.




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre conversas fiadas, meias furadas e trident de canela.

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Não foi de repente.
Não posso dizer que acordei diferente, que os sinos tilintaram numa noite fria e eu simplesmente mudei.
Porque não foi assim.

Foram muitos dias de monólogos febris, travesseiros apertados contra o peito e lágrimas queimando o rosto.
Foram muitos nãos espremidos entre as terças e sextas-feiras intermináveis, e muitos talvez nos fins de semana.
Foram muitos abusos, e pouco sobrou.

Não foi por acaso que criei essa casca protetora, esse ar de quem sabe tudo (embora não saiba nem o que realmente sei), essa falta de modéstia em assumir maturidade, responsabilidade, calma.
Não foram em vão as súplicas de um-pouco-mais-de-atenção-e-carinho.
E não foi em vão o adeus.
Tudo valeu a pena e serviu pra que eu me tornasse o que sou.

Não foi fácil, mas ninguém disse que seria.

Hoje é simples abrir a janela e olhar o tempo, sem esperar muito dele.
Ou ir trabalhar de chinelo de dedo pra não usar aquela meia furada que incomoda o meu dedo do meio.
Hoje é assombrosamente mais simples dizer um sonoro não quando um vulcão por dentro entra em erupção querendo um sim.
É automático.
Um dia, tudo muda.

Posso passar horas a fio jogando conversa fora, sorrindo, ou simplesmente calado.
Posso assumir de quem eu gosto, quando gosto e depois desgostar, ao meu gosto.
Posso não querer receber visitas ou convidar mil pessoas pra comer uma pizza.

"Posso brincar de descobrir desenho em nuvens, posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis..."

Posso me permitir sentir saudade de quem eu amo (ou amava e passei a desamar) e nem por isso querer estar perto.
Sentir saudades, só por sentir.
Me permitir comer besteiras e, no outro dia, me culpar pelas 300 gramas a mais na balança, comprar trident de canela e falar, sem educação nenhuma, perto de quem odeia aquele cheiro que eu adoro.

Posso dizer eu te amo, sem me importar com quem esteja ouvindo isso.

Hoje eu aprendi que posso tudo, se fizer por merecer.

sábado, 21 de maio de 2011

Como o sol, para o verão.

A Rodolfo Izaguirre

Hoje poderia ser um dia comum.
Talvez não fosse, já que todos andam dizendo que será o ultimo dia da nossa "amada" Terra.
Mas não é por isso que, pra mim, hoje é um dia especial.
E direi porque, mais tarde.

Há algum tempo eu conheci um garoto.
Antipático, chato, orgulhoso, cheio de si.
Como, nesse mundo tão pequeno, poderia existir alguém com o nariz tão empinado quanto o dele?
Não entendo porque eu encontrei uma pessoa tão, tão, tão...parecida comigo!
Sim, foi amor à primeira vista.
Nos demos bem de cara, nos tornamos fiéis a uma amizade que nada e ninguém poderia destruir.
Nos tornamos rocha.

E enfrentamos gangues inteiras de noobs, e esnobamos muitos deles, e pisamos e rimos e fomos felizes enquanto durou, e seremos enquanto durar. Pra sempre, de preferência.

E, um belo dia, por sermos tão parecidamente orgulhosos, nos dispersamos no tempo, sem lenço e sem documento. Café sem leite. Amargo.
Como poderia a panela viver sem a tampa?
Como poderia um geminiano incompreendido não estar mais sempre junto com o outro.
21 sem 22.
Causa sem consequencia?
Como poderia?

Não poderia!

E o tempo, dessa vez, perdeu pra gente.
E rimos do tempo também.

E compartilhamos alegrias, e tristezas, e decepções.
E eu me orgulho sempre de ser uma das poucas pessoas pra quem ele se mostra como é, sensível, amável e extremamente dócil.
E depois, nos tornamos os mesmos enjoadinhos de sempre, menosprezando quem se meter a besta conosco.

E ainda estaremos mais perto, e andaremos por aí, porque ainda não criamos asas.

E é por isso que estou feliz hoje.
Porque ele está feliz, e porque eu o tenho comigo.

Como o sol para o verão.

Te amo, Rodox, Feliz Aniversário.